Nem sei o que me sustenta, não sei como aguento. Viver é tão fácil, mas ao mesmo tempo difícil. Queria poder te ter aqui. Tudo seria bem mais fácil com você ao meu lado. Eu sei que se eu cair, você vai me segurar. Vai me proteger; eu sei que o nosso amor seria proibido. Mas eu posso-te falar que é bem melhor assim. Muitas pessoas ao nosso lado, não iria dar certo. Mas um dia, iremos ficar juntos. Nós iriamos ao parque brincar de ser criança até o anoitecer. Chegaríamos a casa e pediríamos uma pizza de frango com catupiry, e ficaríamos a madrugada inteira assistindo TV. E eu veria você dormir no meu colo às 5h da manhã, enquanto mexo nos seus cabelos. Nossa vida seria uma bagunça completa. Cheia de altos e baixos. Eu não iria concordar com as coisas que você diz, e iriamos brigar. Depois faremos as pazes, quando eu encontrar uma rosa em meu guarda roupa, e você surgiria no meu lado e me desse um beijo. Nós sairíamos com nossos amigos, e voltaria com uma garrafa de vodka na mão. Eu iria te abraçar sem você pedir, eu iria fazer um miojo na madrugada quando eu e você estivéssemos com fome. Você iria me ensinar a surfar, nas águas geladas do inverno. Iriamos tomar um chocolate quente quando estivermos vendo um filme. Seria muito mais fácil ter você aqui. Eu iria te chamar de “meu pequeno” ou quem sabe até de “meu amor”. Não seria a coisa mais linda do mundo? Eu e você? Seria sim. Mas o problema, é que você não existe. Eu não existo. Porque você é um idiota! Você nunca me nota, nunca sabe quando uma garota está afim de você. Nunca percebe minhas indiretas, nunca vem falar comigo na escola. Mas se você me notasse, mesmo se fosse pouquinho, eu iria te fazer muito feliz, acredite. Mas é estranho não é? Pensar em você desse jeito. Pensar numa vida que provavelmente não vai acontecer. Eu devo estar ficando louca. Psicótica. Isso é normal? E que eu provavelmente estou fazendo essa carta, no meu quarto, sozinha. Entre as paredes do meu quarto. Onde só se ouve o barulho do mar. E do vento. E o meu silêncio. É melancólico, é chato. Diferenciados, esquisitos é o que somos. Somos simples, e gosto disso. — Bruna Amaro (Escritora da Liberdade)